Bordeaux combina com literatura?

Márcia Foletto
Foto: Márcia Foletto
Por Ricardo Bohn Gonçalves


Bordeaux é capítulo importante em qualquer livro que trate sobre vinhos. No Sudoeste da França, na terra dos cabernets sauvignons mais longevos, a região escreve a sua história com destaque, principalmente, depois da classificação de 1855, feita a pedido de Napoleão. Mas no texto de hoje, Bordeaux ganha um novo sentido. Talvez exatamente por ser um capítulo importante no mundo dos vinhos que eu tenha escolhido, de maneira inconsciente, os seus tintos e, principalmente, brancos para levar para Paraty durante a Flip.

Como contei aqui, neste ano eu voltei à Flip, a Festa Literária Internacional de Paraty. Sou um habitué desse evento, e neste ano, alugamos uma casa no centro da cidade histórica, eu e mais oito mulheres, incluindo a minha companheira Adilia. E o vinho, claro, era a minha responsabilidade.


Eu elegi os vinhos de Bordeaux como tema. Comecei com os brancos – que vocês podem conferir no catálogo aqui da RBG – para os nossos almoços. Os dias ensolarados pediam vinhos mais leves e não tão frutados, ótimos para combinar com os pescados locais, daqueles fresquinhos que a Lara preparava. À noite, com o friozinho, a temperatura mais baixa pedia um tinto com algum corpo, taninos firmes e ideais para embalar as nossas conversas sobre o que havíamos assistido durante o dia.

E, no intervalo entre as taças, nós nos dividimos entre as apresentações da Flip – e ainda bem que o seu telão na praça permitia acompanhar muitas das palestras – e a Off Flip, que são os debates e encontros paralelos organizados pelas editoras e com temas diversos e muito interessantes. Juntos, os dois eventos congestionaram toda a cidade e espero que os organizadores estejam pensando em uma forma de organizar este crescimento na próxima edição.

Da programação oficial da Flip, a apresentação que eu mais gostei foi da escritora espanhola Rosa Montero, que participou de uma mesa redonda com o tema “a ridícula ideia de estar lúcida”. O tema mescla dos dois livros mais conhecidos da autora, “O perigo de estar lúcida” e “A ridícula ideia de nunca mais te ver”. Acho que não fui o único a gostar da apresentação, já que a autora ficou por quatro horas autografando os seus livros no final. Mas gostei muito de suas ideias sobre a escrita e sua narrativa.

Outra palestra que nos faz pensar foi a do historiador israelense Ilan Pappé, autor hoje radicado no Reino Unido. Assisti a apresentação de longe, mas o sistema de segurança foi grande, pelas ideias de Pappé sobre a Palestina. Crítico de seu país ele tem a ideia de que os palestinos pagam o preço alto do antissemitismo europeu.

Também fiquei distante, pelo interesse enorme dos presentes, na apresentação de Valter Hugo Mãe, que foi o autor que mais vendeu livros durante o festival. Com um humor particular, engraçado, ele nos fez rir, mesmo falando sobre o luto. Hugo Mãe veio à Flip para falar da adaptação do seu romance “O filho de mil homens”, que vai estrear na Netflix e também do seu último livro, “Educação na Tristeza”.

Ainda um destaque para a mesa de Sandro Veronesi autor do O Colibri e SetembroNegro. Não é à toa que seus livros são um sucesso

Na Off Flip também participei de boas explanações. Destaco aqui duas, para deixar em vocês uma vontade de ir para a Flip em 2026 sem esquecer de selecionar bons vinhos.

São elas: Literatura e psicanalise com Vera Iaconelli e Sergio Rodrigues e a Escrita na velhice com Adilia Belotti, Sylvia Loeb e May Parreira.

Forma bons momentos, com bons temas e bons goles !!!!!



Comentários

  1. Silvio Eid10/8/25

    Bendito sois vós entre tantas mulheres, livros e vinhos!

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  2. Vinicius Toledo10/8/25

    Ricardo nunca fui na Flip mas, lógico, já ouvi falar maravilhas deste evento! Tenho inclusive um amigo que frequenta, sempre junto comigo, as apresentações da OSESP na Sala São Paulo e que vai sempre na Flip, nunca falta um ano sequer e é sempre para ele que peço para verificar, se há lançamentos nos meus assuntos de maior interesse. Pena que você não tenha conseguido detectar nenhum lançamento na área de vinhos, fica para 2026 não é? Abraços.

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  3. Anônimo11/8/25

    Deu vontade de ir! E também de degustar:)

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