O caderno que ganhei no Dia dos Pais



Por Ricardo Bohn Gonçalves


Ganhei da minha filha Roberta um caderninho como presente do Dia dos Pais. Isso faz uns 30 e tantos anos e ela, ainda pequena, fez o caderninho na escola. Em casa, não somos adeptos de presentes nestas datas comemorativas, mas o caderninho tinha um sentido especial. E decidi usá-lo como controle da minha adega.

Dividi as folhas em colunas, onde marcava, na primeira, o nome do vinho e sua safra. Anotava também o preço, quando eu comprava a garrafa. Depois deixava um espaço em branco, onde marcava a data que eu tomei o vinho e com quem. Este foi o primeiro dos muitos caderninhos que eu tive. E o único que eu guardo até hoje.

Depois, teve um tempo em que eu passei a usar uma planilha excel com todas as informações sobre o vinho e seu produtor. Foi bastante útil, quando o computador (e não o celular) era o eletrônico mais utilizado na nossa rotina. Mais recentemente, recorri à tecnologia e passei a marcar estas informações no aplicativo Delectable, que permite escanear as fotos das garrafas e pontuar os vinhos. Atualmente, há vários destes aplicativos e talvez o Vivino seja o mais conhecido. São um porto seguro para quem quer lembrar o que provou ou consultar alguma informação sobre o vinho.

Usei o aplicativo por um bom tempo. Mas agora passei para uma, digamos, terceira fase. Passei a confiar na minha memória. Vinho bom é aquele que eu lembro da bebida e da companhia. Não anoto mais e acredito que o que fica na memória é o que vale.

Não aconselho vocês a deixarem os aplicativos de lado ou a fotografar as garrafas, que sei que ajuda muito a organizarmos os nossos vinhos. Esta foi a minha escolha pessoal. O saudoso Jorge Carrara, um grande degustador, dizia que quem anota não bebe vinho ruim duas vezes. Ele tem a sua razão.

Mas quando defendo que o que vale é o que fica na nossa memória, quero dizer que temos que valorizar os momentos que vivemos com os amigos, com os familiares e com as demais pessoas queridas. Melhor quando o vinho faz parte destes momentos, que devemos registrar na memória. São estas as lembranças que valem.

Mas posso mudar de ideia se neste Dia dos Pais ou no Dia do Avô, a minha neta Antonela me dar um novo caderninho, criado por ela ...


Comentários

  1. Anônimo3/8/25

    Muito bom!!!

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  2. Silvio Eid3/8/25

    História maravilhosa. Agora é só aguardar a netinha!

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  3. Anônimo3/8/25

    Belas memórias !

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  4. Anônimo4/8/25

    também gostei

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  5. Leila Rensi4/8/25

    Um verdadeiro cronista!

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  6. Anônimo10/8/25

    Que lindo texto, Ricardo. O afeto é certamente o que fica. Parabéns pelo dia dos pais. Abraços

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