
Por Ricardo Bohn Gonçalves
A Millesime Bio, na França, e a Grandi Langhe, na Itália, abriram nesta semana o calendário das grandes feiras de vinho. É um calendário que começa na Europa, aproveitando que o clima está bem frio no Hemisfério Norte, e que não há muita coisa para os produtores fazerem em suas vinícolas.
E o calendário começa com muitos eventos. Nesta semana que entra, acontece a Barcelona Wine Week, que traz 1.300 produtores espanhóis expondo os seus vinhos. E, aqui, para quem acha que a Espanha deve ganhar mercado com o acordo de livre comércio entre Mercosul e Comunidade Europeia, deve aproveitar para visitar a feira e ver as tendências – aliás, as tendências são uma das boas coisas das feiras, que permite focar a nossa escolha de vinhos em boas pedidas.
Logo depois acontece, entre 8 e 9 de fevereiro, em Paris, a Raw Wine. É uma feira importante que traz os vinhos orgânicos, biodinâmicos e naturais. Em seguida, tem a Wine Paris, que vem se transformando como a mais importante feira de negócios do vinho. Esse ano, a previsão é de 5.400 expositores. Depois é a ProWein, que já foi a mais importante deste calendário de negócios do vinho e agora perde espaço para a Wine Paris. É realizada em Düsseldorf, entre 15 e 17 de maio.
Confesso que não vou mais em férias de vinho. Já fui em muitas dela e guardo boas lembranças. A última foi a Grand Jour de Borgogne, que este ano acontece entre 9 e 13 de março. Fui em 2020, com oito amigos, animados a participar desta feira que acontece, a cada dia, em uma das comunas da Borgonha. É uma delícia. Um dia em Chablis, outro em Mâconnais, outro na Côte de Nuit, e tem também o dia dos vinhos da Côte Chalonnaise e da Côte de Beaune. A feira, ainda, acontece a cada dois anos.
Mas durante a nossa passagem pelo evento, fomos percebendo que a cada dia, o público ia diminuindo e os produtores iam ficando cada vez mais assustados. Era o início do Covid. Quando entrei no avião, de volta para o Brasil, Paris fechou. Um dia a mais, provavelmente a gente ficaria preso na cidade. E, na volta, todos do nosso grupo de oito amigos pegaram Covid. Tempos difíceis.
A última destas grandes feiras do calendário do Hemisfério Norte é a Vinitaly, que acontece em Verona, há 58 edições. A Vinitaly é a melhor tradução dos vinhos italianos e uma feira que sempre gostei de participar. Já fui com amigos queridos, como o Jorge Lucki e o Lamberto Percursi. E brincava que eu era o carregador dos vinhos do Jorge, que era sempre bem recebido em todos os estandes.
E, aqui, está o que eu mais gosto destes encontros. As feiras são importantes para o negócio do vinho, é certo, mas o que eu mais gosto são as pessoas que a gente encontra nestes eventos. Pouco importa se acontece em uma cidade pequena ou se é uma feira enorme, com produtores internacionais, é sempre um lugar para provar vinhos com pessoas interessantes e interessadas nos vinhos.
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