Meu ritual de passagem de ano

RBG Vinhos

Por Ricardo Bohn Gonçalves


Tenho um ritual que se repete todo início do ano – ou, quando a agenda permite, até no final do ano anterior. É separar aquelas garrafas que eu devo abrir ao longo dos próximos 12 meses e guardá-las em um armário específico. Pode ser um vinho que eu quero presentear um amigo, a garrafa de um produtor que sei que uma amiga gosta, safras que eu quero testar a sua evolução e também aqueles vinhos que eu sei que estão chegando no seu auge e precisam ser consumidos em breve.

Planejar quais as garrafas serão abertas durante do ano, eu acredito, é a melhor dica que posso dar para quem não quer descobrir que aquele vinho que esperou por décadas para beber virou vinagre. E não é difícil organizar estes vinhos. Para mim, é uma atividade prazerosa, que me levar a mexer nas garrafas e reviver várias memórias, por sorte, mais memórias boas do que ruins.

No meu caso, moro em uma casa que tem um declive muito grande. Na parte debaixo da casa, as paredes dos cômodos ficam encostadas na terra, o que garante temperaturas sempre mais frescas e, também, com uma pequena variação entre o quente e o frio. É neste espaço que eu guardo os meus vinhos há décadas e, posso garantir, nunca tive nenhum problema de conservação, mesmo o ambiente não sendo climatizado

Minha adega, ainda, parece ser feita de “puxadinhos”. Tem um armário que fica em uma parede, outro, em outra, em uma organização meio espalhada. Em um destes armários, eu coloco os vinhos que quero provar durante o ano. Dá uma média de umas 200, 250 garrafas cuidadosamente separadas. E quando faço esta arrumação, outros espaços vão se abrindo nos demais armários, que são os lugares que eu deixo pronto para os novos vinhos que eu vou adquirindo ao longo do ano.

De todos os vinhos, apenas uma garrafa tem um lugar cativo. É o claret Casa da Calçada, que não tem safra no rótulo e eu não marquei a data exata que ganhei a garrafa. Para mim, essa garrafa é a guardião da minha adega. Ganhei de um amigo próximo, também chamado Ricardo, há mais de 40 anos. Ele é tão amigo que é o padrinho da Roberta, uma das minhas filhas.

Para mim, esse guardião simboliza a amizade. Talvez, você, leitor, pode até achar meio piegas, mas sempre acreditei que os vinhos devem ser compartilhados, apreciados com amigos e pessoas queridas.

E, você, como organiza os vinhos que pretende provar ao longo de 2026?


Comentários

  1. Anônimo25/1/26

    Otimo texto Ricardo. Sincero, autêntico. Gostei e fiquei curioso para saber que garrafa você teria separado para abrir comigo… hã hahahaaaaaaa. Bacio e um 2026 com Saúde Alegrias e Grana!!

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  2. Luiz Claudio25/1/26

    Certa vez, eu li em um texto especializado que a palavra vinho, na sua origem, significava "amigo". Desse modo, o seu cuidado e memória com essa garrafa estão mais que corretos! Grato.

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  3. Silvio Eid25/1/26

    Excelente sugestão. Nunca havia pensado nisto. Vou criar a prateleira do ano! Obrigado

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  4. Anônimo26/1/26

    Gostei do vinho guardião, símbolo de uma amizade.

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