Os vinhos no acordo de livre comércio

RBG Vinhos

Por Ricardo Bohn Gonçalves

Depois de quase três décadas, o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia está perto de sair do papel e deve trazer impacto em vários setores, entre eles, o vinho. O imposto de importação, hoje na casa de 27%, vai ser zerado em um período de até 10 anos. Como os impostos são cobrados em cascata, a previsão dos especialistas é de uma redução de 20% no preço final dos brancos e tintos.

É uma redução significativa e, como consumidor, temos de comemorar. Com os anos, os vinhos europeus terão preços mais atrativos por aqui. Ou seja, é muito importante essa medida que pode ter sido estimulada pelo comportamento do presidente dos Estados Unidos. Desde que assumiu a presidência do país, Donald Trump vem aumentando as tarifas para os produtores entrarem nos Estados Unidos, o que tem levado muitos países a procurarem outros mercados para os seus produtos.

Eu, confesso, acho ótimo este processo de abertura de fronteiras, de liberar o comércio entre países e blocos econômicos. Acredito que quando está tudo muito protegido, o setor acaba não se desenvolvendo e se acomoda no tempo. É só lembrar o que acontecia com a nossa telefonia antes dos anos 2000.

Mas não acredito na liberação pela liberação. Claro que temos de ter medidas de proteção em algumas áreas para evitar que os graúdos acabem por tirarem qualquer condição de sobrevivência dos pequenos. No caso dos vinhos, o imposto de importação europeu funciona também como proteção aos nossos produtos. Por aqui, também é caro plantar uvas e elaborar vinhos. E sei que o setor já está conversando com os governos, seja o federal, ou o estadual, no caso o gaúcho, para ter medidas de apoio.

Acredito, ainda, que as medidas de livre comercio devem ser boas para o vinho brasileiro. A concorrência é sempre saudável e deve ajudar a indústria brasileira a ser mais competitiva e a disputar novos mercados. Os produtores brasileiros podem exportar os seus vinhos e espumantes também sem barreiras e conquistar fama internacional.

A medida também deve mudar o ranking dos vinhos importados pelos brasileiros. Atualmente, o nosso mercado é liderado pelo Chile, seguido por Portugal ou Argentina (os dois países se revezam entre o segundo e o terceiro lugar, ano após ano) e só depois, em quarto lugar, França, graças aos seus champanhes. Mas na grande maioria dos países que consomem vinhos, a Itália, a França e a Espanha se revezam na liderança do mercado.

Por aqui, o imposto de importação cria uma barreira para os vinhos europeus e cerca de 60% do mercado brasileiro de vinho importado é formado pelos rótulos sul-americanos. Agora, o esperado é que esta proporção mude.

Comentários

  1. LUIZ CLAUDIO DA SILVA OLIVEIRA18/1/26

    Gostei muito do seu comentário. Uma exposição moderada, técnica e que procurou elucidar aspectos distintos do tema. Eu sou um cultor do nossos vinhos e dos chilenos; espero a oportunidade de experimentar mais os vinhos europeus. Quem sabe! Grato.

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  2. Anônimo18/1/26

    Não acredito que saia. Poucos comentam da necessidade de aprovação por maioria simples do Parlamento Europeu. Dos 720 membros, 150 deles não apenas são contra como estão processando seus governos. Acrescente-se a isso que França Alemanha Bélgica e Hungria são contra. Os agricultores franceses estão diariamente fazendo protestos. Não sou otimista na aprovação não. Lamentavelmente.

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  3. Vinicius Toledo18/1/26

    Ricardo os produtores de vinho brasileiros já estão expressando preocupação com a concorrência intensificada. A indústria nacional terá que buscar maior competitividade, investir em qualidade ("premiumização") e tecnologia, para fazer frente aos produtos europeus, que muitas vezes já são subsidiados em seus países de origem. Hoje, aproximadamente dois terços do vinho importado consumido no Brasil têm origem na América do Sul, com o Chile liderando de forma isolada, seguido por Argentina e Uruguai. A Europa responde por pouco mais de 30% das importações! Em 2025, os vinhos de entrada apresentaram retração, enquanto rótulos de maior valor agregado registraram crescimento. Trata-se de uma tendência observada também em outras categorias, como cerveja e chocolate, em que o consumidor passa a consumir menos volume, mas com mais qualidade. Se esta tendência se mantiver, num futuro próximo teremos uma oferta maior de vinhos
    topo de gama a preços mais razoáveis assim, não teremos mais que viajar para podermos consumir vinhos caros, teremos vários destes vinhos já aqui no mercado nacional, o que pode ser uma imensa vantagem principalmente se o assunto for vinhos italianos e franceses.

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    1. Anônimo18/1/26

      Para aqueles que estão desatualizados, o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia foi oficialmente assinado ontem, dia 17 de janeiro de 2026!

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