
Por Ricardo Bohn Gonçalves
Imagino que vocês concordem que vinho é (também) sinônimo de festas. E acredito que até no carnaval, uma festa tão profana e animada, tenha espaço para a bebida do deus pagão Baco (ou Dionísio, se formos para a cultura grega). Mas não se assustem, não estou sugerindo para vocês levarem uma taça de cristal para a avenida ou que eu estou pensando em montar uma mesa com toalha de linho ao lado do bloquinho para degustar alguns rótulos enquanto acompanho os foliões.
Claro que estas duas hipóteses são um exagero e o bom-senso mostra que são descabidas de sentido. Mas quando penso no vinho para o carnaval, penso um pouco na diversidade da bebida. Por exemplo: a ousadia do carnaval me leva a sugerir vinhos brancos elaborados com uvas menos conhecidas do que a chardonnay ou a sauvignon blanc, que são as variedades brancas mais consumidas mundo afora.
Um exemplo é a catarrato, variedade da Sicilia, no sul da Itália, que dá origem a vinhos frescos e leves, com uvas que nascem no solo vulcânico da região. Na RBG, temos o Nina Bianco 2024, que mescla a catarrato com a pinot grigio. Ou então um branco chileno, elaborado com a pedro ximenez. No caso, é a vinícola Falernia, com uvas do vale do Elqui, no norte do país andino.
Penso também em vinhos mais frescos, palavra que traduz uma acidez mais pronunciada e que não deixa o vinho enjoativo, muito pelo contrário. No dicionário de Baco, a acidez é uma característica positiva, capaz de deixar os vinhos, tanto os brancos como os tintos leves, mais refrescantes. Um exemplo de branco que combina com a folia e se destaca pelo frescor é o Uggiano, elaborado na Toscana com a uva trebbiano, e que traz ainda um agradável toque mineral.
Outra sugestão são os espumantes. Tem um relatório de uma empresa de pesquisa de mercado, a Scantech, que mostra que no carnaval do ano passado as vendas de espumante cresceram 21,2% comparado com o ano anterior. As borbulhas, que representavam 4,3% de participação na chamada cesta de carnaval em 2024, com os itens mais comprados no varejo nos dias de folia, passaram a representar 5% no ano passado. Aposto que esse fenômeno deve se repetir neste ano. As borbulhas tornam o vinho mais alegre e combinam com o clima de folia. A escolha deve se basear na proposta de carnaval de cada um de vocês. Há espumantes mais despojados e descompromissados, como o Comte de Bailly. E há estilos mais indicados para quem aposta em um carnaval mais contemplativo, longe da agitação dos foliões. E aqui a minha sugestão são os champanhes, como o Drappier Carte D’Or.
Até no carnaval, vence a diversidade dos vinhos.
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