A nada obvia uva timorasso

RBG Vinhos

Por Ricardo Bohn Gonçalves


Leio sempre com empolgação as notícias de que a venda e, consequentemente, o consumo de vinhos brancos vem crescendo. Não apenas aqui no Brasil, onde o clima pede goles mais leves, sejam brancos, rosés ou tintos, mas no mundo. E todas as estatísticas da Organização Internacional da Vinha e do Vinho indicam este caminho.

Fico mais empolgado ainda quando a curiosidade sobre os brancos ultrapassa a barreira dos chardonnays e dos sauvignon blanc, que são as uvas que parecem dar origem a grande maioria dos vinhos deste estilo. Claro que gosto muito dos vinhos elaborado com elas – a minha paixão pela Borgonha inclui seus brancos, que tem a chardonnay como variedade única, por exemplo. E os grandes sauvignon blanc de Loire ou ainda os da Nova Zelândia também deixam qualquer degustação mais prazerosa.

Mas ultrapassar a barreira é também provar vinhos de uvas pouco conhecidas, mas com potencial, muito potencial, na taça. E aqui tem uma variedade que vem me encantando muito, a ponto de eu colocar um vinho elaborado com ela, o Derthona Ca Degli Olmi Colli Tortonesi Timorasso 2023, no portfolio da RBG Vinhos.

A uva, como o nome do vinho acima revela, é a timorasso, uma variedade autóctone do Piemonte, que quase desapareceu. Primeiro pela praga da filoxera, que atacou as suas vinhas e, depois, pela falta de interesse dos produtores de lidar com uma variedade de baixo rendimento. No final dos anos 1980, a estimativa é que havia menos de 0,5 hectare de timorasso plantado no Piemonte, mais precisamente no Colli Tortonesi, ao sudeste do Piemonte.

Ela começou a ser recuperada e valorizada pelo enólogo Walter Massa, em um trabalho que acabou por atrair outros enólogos, encantados com o perfil de seus vinhos. Eles não são muito aromáticos, mas resultam em um corpo mais presente, em uma textura bastante agradável no paladar e uma surpreendente capacidade de envelhecer bem na garrafa.

Com estas características, a timorasso vem conquistando vários produtores e também os consumidores. E mais do que isso, vem sendo vista como o par ideal para os barolos, que são os grandes tintos não apenas do Piemonte, mas de toda a Itália. Por isso, o meu convite de sair da obviedade das uvas mais conhecidas: prove um vinho elaborado com a timorasso e depois me diga o que você achou. A minha aposta é que vai gostar.

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