
Por Ricardo Bohn Gonçalves
A primeira venda de vinhos da Sílvia, minha filha, hoje responsável pela parte comercial e de marketing da RBG Vinhos, foi uma estreia e tanto aqui na RBG Vinhos. Na época, em 2008, ainda nos chamávamos Wine School e o mercado era muito diferente. Eram poucas as lojas que vendiam vinho direto para os clientes com uma abordagem mais personalizada. Nossa estrutura também era muito pequena e oferecíamos um vinho para nossos clientes a cada 15 dias. Dá para imaginar isso hoje?
Vendíamos por e-mail, a partir de uma relação de clientes atualizados em uma planilha excel; conferíamos o pagamento com depósitos bancários identificados pelos centavos – se o vinho custasse R$ 100, por exemplo, o primeiro cliente fazia um depósito de R$ 100,01, o segundo de R$ 100,02 e assim por diante.
Coube à Silvia oferecer o Los Arbolitos, um cabernet sauvignon do vale central, no Chile. O título do e-mail, que ela escrevia um a um era “Algumas garrafas de Los Arbolitos”, que ela lembra até hoje. Em seguida, vinha a descrição do vinho, tudo feito manualmente, sem nenhum programa de envio de mensagens. Conforme a Silvia ia disparando as mensagens, as pessoas começaram a responder pedindo o vinho (sim, naquela época, as pessoas respondiam muito mais os e-mails) e mais vinho.
Lembro da Silvia me ligando aflita, querendo saber o que fazia primeiro: se respondia a quem já estava pedindo o vinho ou se continuava a enviar as mensagens para os demais clientes. O vinho estava fazendo um sucesso enorme, com clientes pedindo garrafas e mais garrafas.
No final, vendemos mais de 1 mil garrafas do mesmo vinho. Um recorde para uma estreante – até então, a Silvia me ajuda com os eventos da Wine School. Se a memória não falha, a caixa com seis garrafas do Los Arbolitos custava R$ 100.
O sucesso das vendas significava, ainda, um trabalho extra. A Silvia veio para a minha casa, ajudar a montar as caixas, que entregávamos por um taxista amigo, o Ronoel. E, como sempre acreditamos na qualidade do serviço prestado, a Silvia ainda teve de enviar e-mail para cada um dos compradores perguntando se o vinho havia chegado e, depois, o que eles tinham achado da compra.
Essa não foi a única vez que vendemos 1 mil garrafas de um único vinho, fato raro atualmente. Mas com uma estreia dessas, a Silvia passou a me ajudar com as vendas. Sorte minha.
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