Nos tempos da rua Normandia

RBG

A rua Normandia é uma das menores e, sem dúvida, mais bonitas ruas de São Paulo. Tem apenas um quarteirão, com casas de arquitetura de estilo europeu, entre as ruas Cotovia e Eucaliptos, no bairro de Moema. Acho que de ponta a ponta a rua não tem mais de 100 metros de comprimento. A Normandia é também o endereço do Philippe Bistrô, um pequeno restaurante de esquina que marca o começo da nossa história.

Foi lá que comecei a fazer os eventos da então Wine School. Eram jantares, degustações, aulas de vinho, em um espaço que cabia, teoricamente, 20, 25 pessoas no máximo, mas que muitas vezes, nos apertávamos e colocávamos 30, 35 pessoas e muitas taças e garrafas.

Na época, eu nem imaginava que aqueles encontros seriam a base da RBG Vinhos, e que me trouxesse clientes fiéis desde o início dos anos 2000. Um deles é o economista Luiz Sergio dos Santos Valle, empresário do ramo imobiliário. Conheci o Luiz Sergio quando era sócio do Clube de Campo São Paulo e o convidei para uma degustação na rua Normandia. Ele aceitou o convite e depois veio em várias outras.

Neste mês de aniversário, perguntei para o Luiz Sérgio que lembranças ele tinha deste nosso primeiro endereço informal – apesar de muitos acharem, o bistrô nunca foi a nossa sede, mas podemos defini-lo com o nosso primeiro ponto de encontro. E ele lembrou de uma degustação de espumantes.

Para aquele evento, selecionei espumantes das mais diversas origens: tinha champanhe, claro, mas tinha cava espanhol, tinha prosecco italiano, tinha espumante brasileiro, tinha cremant francês. Enfim, um painel que julgo interessante para quem quer saber mais sobre borbulhas. Todas as taças foram servidas às cegas, o que impede que as pessoas saibam o que estão provando.

No final, o espumante vencedor foi o Excellence, a marca premium da Chandon, elaborada em Garibaldi, na serra gaúcha. O Luiz Sergio lembra do meu comentário na época, defendendo as degustações às cegas, quando o rótulo não influencia nas nossas decisões.

Sigo fã das degustações às cegas, quando a ideia é entender um vinho. O rótulo, querendo ou não, sempre tem a sua influência. O Luiz lembra também de uma harmonização da uva gewurztraminer com comida japonesa que realizamos. Ele conta que prefere saquê com os pratos frios da culinária do Japão, mas que quando quer um vinho vai para o branco elaborado com essa variedade tão bem adaptada à Alemanha e a Alsácia. Aprendeu lá na Normandia.

Até hoje ele é um cliente que acompanha o nosso trabalho. E uma das coisas que me deixa bem feliz nesta trajetória é que o Luiz Sergio não é o único. Mas é na figura dele e das suas lembranças que eu agradeço e homenageio todos vocês. Sejam clientes antigos, sejam o que estão chegando agora e os que ainda vão comprar nossos vinhos ou participar dos nossos jantares. São vocês que nos permitem escrever essa nossa história, de muitas taças e muitas garrafas.

Tem alguma história conosco? Conte-nos nos comentários.

Obrigado.



Comentários