
Por Ricardo Bohn Gonçalves
A atual Copa do Mundo conta com a participação recorde de 48 países, 16 a mais do que as 32 seleções das edições anteriores desta competição. Alguns destes países, eu ouso confessar, nem sabia que tinha o futebol como esporte oficial e, em alguns casos, também desconhecia que elaboravam vinhos. Aliás, me surpreendeu como a produção de vinhos vem avançando em suas fronteiras e como a mudança climática vem possibilitando plantar videiras em locais impensáveis algumas poucas décadas atrás.
Dos oito grandes campeões do mundo, podemos dizer que elaborar vinhos é quase um pré-requisito para levantar a taça. O nosso Brasil com seus cinco títulos; Alemanha e Itália, com quatro títulos cada uma delas; Argentina, com três; França e Uruguai, com dois títulos cada; e Espanha e Inglaterra, com um título. Todos têm os seus vinhedos. E, aqui, já recomento os espumantes ingleses, país que certamente é, entre os campeões mundiais, o menos conhecido pelos seus vinhos. E suas borbulhas têm muita qualidade (e preço alto, também).
Dos seis países da América do Sul classificados para a competição, Brasil, Argentina e Uruguai são conhecidos pelos vinhos. Mas há brancos e tintos também no Paraguai, que nunca provei. Colômbia elabora vinhos, em seus terroirs de altitude, e desconheço vinhos do Equador, por mais que, na pesquisa que fiz para escrever este texto, tenha encontrado vinhos equatorianos.
Da América do Norte, Central e Caribe, Canadá faz sucesso com os seus vinhos de uvas congeladas, os EUA são o quarto maior produtor mundial, e o México vem obtendo bons resultados com seus brancos e tintos da Baja California. O interessante foi saber que Curaçao, Haiti e Panamá também têm vinhos, sempre de produção pequena e ainda experimental.
Dos 16 países classificados pela Europa, vários são produtores conhecidos e valorizados, como França, Espanha, Portugal e Alemanha. A Áustria brilha com seus brancos e a Suíça é conhecida pela uva chasselas, que harmoniza bem com os fondues de queijo.
Mas é interessante saber que a Bélgica, conhecida pelas suas cervejas, elabora vinhos, principalmente os brancos, nas regiões de Flandres e Valônia. Bósnia e Herzegovina têm uvas nativas, com destaque para as zilavka (branca) e a blatina (tinta). A Croácia tem vinhos desde a época dos antigos gregos. A Escócia, terra dos grandes uísques, começa a se arriscar no plantio de videiras com as mudanças climáticas, com o cultivo de chardonnay e pinot noir. Aliás, Holanda, Noruega, República Tcheca e Suécia também se arriscam na elaboração de brancos e tintos, o que se tornou possível com as mudanças climáticas e o avanço da tecnologia. A Turquia é conhecida como grande produtora de uvas e também tem os seus vinhos.
Quando vamos para o continente africano, a referência são os rótulos da África do Sul, país que se orgulha de ser o primeiro do chamado Novo Mundo a ter os seus próprios vinhos. Gosto bastante dos seus vinhos brancos, principalmente. Sabemos que o norte do continente, como o Egito, principalmente, tem uma ligação com os vinhos, desde a antiguidade, assim como a Tunísia. Marrocos, o primeiro adversário do Brasil, também tem sua história com os vinhos, assim como a Argélia, que chegou a ser um grande produtor no século passado, rivalizando com Marrocos.
Em Cabo Verde, a produção se concentra na Ilha do Fogo, com vinhas rasteiras próximas a um vulcão. Na África, só não achei registros de vinhos na Costa do Marfim, em Gana, no Congo e no Senegal.
Na Ásia e Oceania, conhecemos bem os vinhos da Austrália e da Nova Zelândia e é possível encontrar aqui no Brasil alguns rótulos japoneses. A Coreia do Sul também tem vinhos, mas que nunca chegaram ao Brasil. A Jordânia tem a sua história nos vinhos e o Uzbequistão é uma das maiores estrelas em ascensão na vitivinicultura da Ásia Central, com uvas autóctones. Irá e Iraque até tiveram videiras como berço das primeiras civilizações da Antiguidade, mas atualmente as leis islâmicas proíbem sua elaboração. E Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos não têm clima que permita o crescimento das videiras.
Com tantos países produtores de vinho, acho que posso afirmar que o próximo campeão mundial terá um vinho próprio para brindar a conquista. Que seja com um espumante brasileiro.
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