Portugal à vista

RBG Vinhos

Por Ricardo Bohn Gonçalves

Há um mar de vinhos portugueses aqui no Brasil. Atualmente, Portugal é o país europeu que mais exporta seus vinhos para cá, atrás do sul-americano Chile, que lidera esse mercado, e sempre em disputa pelo segundo lugar com a também sul-americana Argentina. E isso não é pouca coisa: em geral Itália e França lideram os rankings dos vinhos importados na maioria dos mercados consumidores.

O interesse português pelo nosso mercado fica evidente em eventos como o Vinhos de Portugal, que trouxe mais de 70 profissionais, entre enólogos e produtores, para cá neste final de maio, início de junho. O interessante de eventos como este é a oportunidade que temos de provar vinhos junto com quem viveu a sua história e também aprender muito nestas degustações.

Eu tive a oportunidade de conversar com alguns enólogos e produtores neste período. A primeira foi uma degustação que fizemos com o Manuel Lobo, no novo projeto da RBG Vinhos, de focar em eventos – escrevi recentemente sobre isso, como você pode conferir aqui. Lobo ficou conhecido como o enólogo dos vinhos da Quinta do Crasto, no Douro, no norte de Portugal, mas tem também o seu projeto pessoal no Alentejo. E foram estes seus vinhos que apresentamos juntos em um jantar harmonizado.

E, aqui, confesso que me surpreendi com a qualidade dos seus brancos. Os tintos já são conhecidos, mas é interessante constatar a melhora dos vinhos brancos portugueses, inclusive em regiões mais quentes, como o Alentejo. Portugal não está parado e tem feito um bom trabalho neste tema.

Mas tiveram vários outros bons produtores por aqui, com quem tive a oportunidade de conversar. Um exemplo é a Quinta da Bágeiras, um projeto do Mario Sergio Alves Nunes, que aposta nos projetos com a menor intervenção. Também gostei muito de degustar com António Maçanita, que faz vinhos em várias regiões de Portugal. Seus vinhos do Douro são muito bem elaborados e é impossível não se encantar com os seus brancos do arquipélago de Açores. É incrível como a Ilha do Pico, onde Maçanita tem a sua vinícola, resulta em brancos minerais muito intensos, persistentes, salgados. É a força dos vinhos de solo vulcânicos, que estão tão na moda ultimamente.

Estes vinhos exemplificam a diversidade dos vinhos portugueses. Mostram também que Portugal sabe que tem de cuidar com carinho dos consumidores brasileiros. O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, que vai zerar daqui há alguns anos as tarifas de importação de vinhos, entre outros produtos, abre uma boa oportunidade para os produtores portugueses conquistarem mais uma boa fatia do mercado brasileiro. Mas faz também com que Itália, França e Espanha, principalmente, mas também todos os países europeus, tenham maior competitividade neste mercado. E Portugal está investindo em não perder a sua liderança.

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