
Por Ricardo Bohn Gonçalves
Neste domingo, 19 de julho, Argentina e Espanha decidem quem vai levar a taça para casa. É o troféu pelo campeonato de futebol, mas bem que poderia ser também a taça de vinho. Porque os dois países são também players importantes no mundo dos brancos e, principalmente, dos tintos. Neste blog, ao invés de falar da disputa entre os jogadores Lionel Messi e Lamine Yamal, poderíamos falar sobre a tempranillo versus a malbec ou entre um grande produtor de vinhos do hemisfério norte versus um do hemisfério sul.
Vamos aos números: a Espanha lidera o ranking de maior extensão de vinhedos do mundo. São 919 mil hectares de vinhas – a França, vice-líder, tem 740 mil hectares. A Espanha ocupa o terceiro lugar no ranking de maiores produtores de vinhos, atrás da Itália e da França. A explicação, aqui, é que as vinhas espanholas são cultivadas com maior espaço entre elas, com muitos dos vinhedos seguindo o sistema de vasos, no qual cada vinha é plantada como pequenas árvores e não no sistema de espaldeiras, na qual as plantas são conduzidas lado a lado.
Nos vinhos, assim como no futebol, a Espanha vive um ressurgimento. Claro que Rioja e Ribera del Duero seguem como as principais regiões produtoras, onde reina a tempranillo como variedade principal. Mas há boas surpresas em regiões ainda pouco conhecidas, como a Serra de Gredos, e naquelas que estão sendo redescobertas, como Bierzo, com vinhos menos concentrados e a aposta em variedades mediterrâneas, como a garnacha.
Na Argentina, os dribles de Messi encontram correspondência na malbec, a principal uva tinta do país, que seguem surpreendendo. Depois dos seus vinhos muito concentrados, muitos dos produtores apostam em tintos mais leves e frescos, mostrando que também nos vinhos a Argentina tem garra e vai atrás dos seus objetivos. São tintos elaborados agora não apenas com a malbec, como também com a cabernet franc – talvez a variedade que mais surpreende nas novas taças –, com a cabernet sauvignon e até com a bonarda.
Nos vinhedos, a Argentina é grande, assim como é nos títulos, com a conquista de três copas do mundo, a de 1978, a de 1986 e a de 2022. O país disputa com a Austrália o ranking do maior produtor do Hemisfério Sul.
Nas taças de vinho, dá para recomendar abrir um vinho de cada país enquanto se acompanha o jogo na tarde deste domingo. Mas no futebol, ao contrário do vinho, tem apenas um vencedor. E a disputa não será fácil.
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