
Por Ricardo Bohn Gonçalves
Pouco mais de dois meses atrás, a OIV, sigla para Organização Internacional da Vinha e do Vinho, publicou um relatório em que mostrava não apenas o crescimento do vinho no Brasil, como que estamos na contramão das tendências de retração deste mercado no mundo. Pelo órgão que reúne as informações dos países produtores de brancos e tintos, o consumo de vinhos em nosso país cresceu 42% na comparação entre os anos de 2025 e 2024 e, mais do que isso, a nossa produção aumentou 81% no mesmo período.
Neste período, li diversos artigos e comentários animados com estes resultados. Ao mesmo tempo em que conversei com produtores e importadores preocupados com a retração de vendas no nosso mercado. Sinais bem contraditórios.
Não sou especialista em dados de mercado, mas me pergunto como a OIV chegou a estas conclusões. Percebemos que o interesse pelo mercado de vinhos no Brasil é crescente. Aqui na RBG Vinhos os resultados também são positivos, mas estamos distantes destas cifras de 42% ou 81% em um período de 12 meses. Mesmo no período da pandemia, em que o consumo de vinhos crescia exponencialmente, o Brasil não chegou a estas porcentagens de crescimento. E foi uma época de consumo fervoroso dos vinhos.
Assim, meu ponto é que devemos olhar estes números com cautela, com muita cautela aliás. Por mais que esse crescimento empolgue não apenas os consumidores brasileiros, mas também os produtores estrangeiros, que passam a analisar o nosso mercado como o destino para todos os seus vinhos.
A realidade mundial, como aponta a própria OIV, é de as pessoas reduzirem o consumo de vinho – no mesmo relatório em que o Brasil é destaque, a superfície de vinhedos teve uma redução de 0,8% e a produção de vinhos aumentou míseros 0,6%. Esta retração internacional pode não ter chegado ainda no Brasil, mas a tendência é nesta direção e, seguramente ou infelizmente, tem grandes chances de também acontecer por aqui.
Não quero ser pessimista – nesta semana, já basta a eliminação do Brasil na Copa do Mundo para o rol de péssimas notícias –, mas essas estatísticas me levam ao tema que discutimos muito na nossa empresa. Acreditamos que nossos clientes podem beber menos (ou mais), mas o importante é que consumam vinhos melhores. A nossa máxima é: Beba Melhor e sempre com moderação!!
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