Benjamín Romeo, uma homenagem

RBG Vinhos

Por Ricardo Bohn Gonçalves

O produtor Benjamín Romeo (1964-2026) deixou sua marca no mundo dos vinhos espanhóis. Falecido nesta semana, Romeo foi um dos maiores responsáveis por mostrar que a Rioja também poderia dar origem a vinhos focados no terroir, elaborado com uvas de pequenas parcelas de vinhas.

Tudo começou em 1995, quando Romeo comprou uma caverna escavada nas pedras, embaixo do Castelo de San Vicente de la Sonsierra, em Rioja. E começou a elaborar seus próprios vinhos, que vinificava na garagem da casa de seus pais. Primeiro fez o La Cueva del Contador, em 1996, e depois o Contador, com primeira safra em 1999. Da quarta geração de viticultores, Romeo queria se tornar um bodegueiro, e, acredito, nem imaginava que história escreveria com os vinhos.

A safra de 2004 do Contador recebeu 100 pontos de Robert Parker, que na época era o crítico mais importante do universo dos vinhos. No ano seguinte, ele conquistou novamente 100 pontos, com a safra de 2005. O feito, inédito, lhe trouxe fama e muita visibilidade. Mas ele não se deixou contagiar com as pontuações – claro que os preços de seus vinhos subiram –, mas ele manteve o seu foco em ser bodegueiro, sempre com uma boina e uma alegria em falar dos vinhos, das parcelas dos vinhedos.

Tive a oportunidade de conhecê-lo em uma das suas viagens ao Brasil. Era uma época em que seus vinhos eram importados pela Premium. Conversamos, ele contou dos seus desafios e sonhos em Rioja. Simpatizei com ele. Aliás, era impossível não simpatizar com ele.

A apresentação de seus vinhos estava marcada para o final da manhã e eu seguiria da prova para um almoço com um amigo. Mas a degustação atrasou e eu acabei ficando para almoçar com a equipe da Premium. Ofereci o vinho que eu levava para o almoço com o meu amigo, que também ficou na Premium, e combinamos de servir os vinhos às cegas. Começamos com o meu vinho, que era um branco. Romeo pegou a taça com todo o respeito, cheirou branco, provou, e disse que não tinha dúvidas de que era um chardonnay.

Mas me surpreendeu ao dizer que poderia ser um grand cru da Borgonha ou um vinho de um pequeno produtor do Oregon. Eu levava um chardonnay do Kistler, referência nos pequenos produtores do Oregon. E pensei: esse produtor, com a sua simplicidade, fez um golaço. E seguimos conversando sobre a sua visão do vinho, as mais de 50 parcelas que ele vinificava separadamente e o movimento que surgiu, quase sem querer, nos anos 1990, na Rioja, e que revolucionou os vinhos locais.


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