O vinho para o meu pai

RBG Vinhos
Eu, Ricardo e Roberta

Por Silvia Bohn Gonçalves

Não contem ainda para o Ricardo Bohn Gonçalves (que aqui peço licença a vocês para chamá-lo de pai), mas depois de muito pensar em qual Borgonha, Barolo ou Rioja escolher para o Dia dos Pais, acabei decidindo que vou abrir um vinho neozelandês com ele. Será um Rippon Pinot Noir, um tinto que provamos juntos quando visitamos a Nova Zelândia alguns anos atrás. 

Quem acompanha esse blog sabe da paixão do meu pai pela pinot noir (mas ele também gosta tanto de outras uvas, da nebiollo, da tempranillo dos Riojas, para citar apenas duas). Mas acho que a data pede um vinho com a sua variedade preferida. A minha escolha foi para a Nova Zelândia e não para a Borgonha porque foi uma viagem cheia de significados na nossa relação pai e filha. Quem sabe um dia teremos uma viagem assim pela Borgonha – Pai, fica aqui a minha sugestão de presente!

Confesso que não é fácil escolher um vinho para surpreender meu pai, ainda mais numa data especial como esta. Ele parece conhecer todos os vinhos ao meu redor. Espero que a escolha de uma garrafa de vinho para presentear os seus pais seja mais fácil. Mas vocês também têm a opção de pedir uma ajuda para o meu pai. Mas eu não. Se fizer isso, acabo com a surpresa...

Calculo de 99% das minhas lembranças com o meu pai são com vinho. E elas são as mais diversas. Minha irmã e eu crescemos com os vinhos. Quando eu era menina, ele colecionava rótulos de vinho, passava horas com o canivete para tirar os rótulos da garrafa, colocar em uma folha de sulfite e guardar em uma pasta. Eu adorava ajudá-lo. Não tinha viagem de férias em que não tivesse ao menos um dia reservado para conhecer uma nova vinícola ou aquela parada – demorada demais nas minhas lembranças –, olhando os rótulos de uma loja de vinhos e conversando com o vendedor.

Na época em que não tinha limites para levar vinhos, lembro que os meus pés dividiam espaço com as sacolas cheias de garrafas no avião. Nas viagens de carro, a quantidade de garrafas era ainda maior. Lembro de uma visita que fizemos na California e que eu adorei o teleférico da vinícola, que nem lembro qual era.

Eu tinha tanto contato com o vinho que tinha certeza que jamais trabalharia com o tema. Queria algo diferente. Até que um dia precisei ajudá-lo com os vinhos, bem no começo da RBG. O que era para ser uma coisa pontual virou um trabalho que eu adoro e que já soma 16 anos juntos. A vida me levou a isso e o melhor é que eu adoro.

E agora vejo as lembranças com saudosismo. Consigo rir até da viagem para a Nova Zelândia, quando trouxemos bagagem demais de uma volta interminável – a Nova Zelândia é mesmo muito longe – e tivemos de pagar imposto para entrar com os vinhos no Brasil. E tudo que eu queria era chegar em casa e descansar e me perguntava porque tínhamos comprado tanto vinho. Hoje, agradeço a oportunidade de prová-los.

E acho muito legal as garrafas ganharem novos sentidos. Recentemente, abrimos um Vintage 1984, da Graham’s. Fui uma garrafa que meu pai deu de presente para o meu primo, que nasceu neste ano. Meu primo levou a garrafa para a maternidade quando o filho dele nasceu. Mas não abriu. Só fomos beber este Porto recentemente em família e foi um momento especial. Porque o vinho cria estes momentos e aprendi a valorizá-los. Neste Dia dos Pais, espero que vocês também tenham bons momentos com os seus pais – melhor se for com um vinho para brindar.

Comentários

  1. Silvio Eid9/8/26

    Silvia, histórias deliciosas para compartilhar uma vida em comum. Parabéns pelo Pai que você tem e a vida que construíram juntos. Desejo muita luz no seu próprio caminho. Abraços.

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  2. Anônimo9/8/26

    Meninas !! Que gostoso ler este relato!! Imagino como é dificil escolher um vinho parq Seu pai tao erudito em vinhos!! Mas nao deixa de ser uma tarefa prazeirosa - assim como foi ler seu relato !!!

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  3. Anônimo9/8/26

    Adorei ler e saber mais dessa relação com o seu pai, Silvia. Não deve ser fácil escolher um vinho para surpreendê-lo!

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