Surpreenda-se com Mendoza

RBG VInhos
Foto: Siete Fuegos

Por Ricardo Bohn Gonçalves

Fazia certo tempo que eu não ia para Mendoza, a cidade (e tambéma província) na beira da Cordilheira dos Andes que concentra a elaboração de vinhos argentinos. Voltei à Mendoza para selecionar os vinhos para o projeto Al Mondo, aquele roteiro exclusivo que os meus amigos Marcelus e Suzana organizam, com gastronomia, vinhos e muita cultura, e que já comentei aqui algumas vezes.

E me surpreendi com o destino. Como Mendoza mudou desde a última vez que passei por aqui, alguns anos atrás! Na verdade, minha impressão é que o mundo do vinho nunca foi tão dinâmico, com tantas mudanças e, para nossa sorte, na grande maioria com vinhos melhores.

Em Mendoza, as surpresas começam logo com os brancos e tintos.Há uma tendência muito clara entre os produtores de deixar os vinhos mais leves. O malbec concentrado, super extraído, definitivamente saiu de cena e em seu lugar encontramos tintos mais frescos, muitos elaborados com técnicas de baixa intervenção. E não é mais só a malbec que é sinônimo de bons tintos argentinos: cabernet franc, principalmente, mas também a cabernet sauvignone até a bonarda vem resultando em goles que vale a pena provar.

Outro ponto que me chamou atenção é o enoturismo. Agora todas as vinícolas estão prontas para receber o turista, daquele que não sabe quase nada sobre brancos e tintos, apenas quer provar e desfrutar da experiência, aos especialistas. O argentino soube se preparar para receber o turista que gosta de vinho, em hospedagem, almoços harmonizados, degustações exclusivas, enfim, no que chamamos de experiências criadas para nos surpreender.

Os restaurantes foram uma experiência a parte. A gastronomia mendocina melhorou muito, com várias casas com estrelas no guia Michelin. Tive a oportunidade de ir a lugares mais sofisticados, como o 7 Fuegos, do chef Francis Mallmann, instalado dentro de um projeto de vinícolas, o The Vines Resort & Spa, e o projeto da enóloga Susana Balbo, batizado de La Vida, que só serve menus harmonizados. E visitei também projetos mais despojados. Gostei muito do Cal, de cozinha criativa, e do Anna Bistró.

Na paisagem local também se destacam os condomínios cercados de vinhedos. Vi vários e sei que muitos brasileiros têm apostado nestes projetos, no sonho de ter um vinho para chamar de seu. Mas lembro que projetos assim têm dois dias de felicidade, o dia que compramos o vinhedo e o dia que vendemos... Brincadeiras à parte, vejo com interesse o crescimento destes projetos, que acompanham as mudanças que passa pela região.

O que mais me surpreendeu, no entanto, foi a oportunidade de provar novamente o Château Montchenot, um tinto da Bodega Lopes. Conheci este vinho quando comecei a me interessar pelo mundo de Baco, sem nem sonhar que trabalharia com isso. Abria as suas garrafas em momentos especiais. A oportunidade de prová-lo novamente e perceber que o tinto mantém toda a sua elegância foi a melhor surpresa da viagem.

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