
Por Ricardo Bohn Gonçalves
Pode soar provocador eu começar este texto falando que o meu rosé preferido é o Viña Tondonia Gran Reserva, um ícone da Rioja, na Espanha. É um rosado diferente de tudo que já provei, que nasce da combinação de uvas brancas e tintas, que fermentam juntas. E que ainda passa quatro anos em grandes barricas de carvalho. Também na Espanha, agora na Catalunha, tem outro rosé que eu gosto muito. É o Els Jelipins, que tem um perfil de vinho natural, com baixa intervenção, e é também divino.
A estes rótulos se somam os grandes champanhes rosés. Para o meu paladar, são o melhor que esta região ao norte de Paris pode elaborar. São mais complexos do que os champanhes brancos, mais intensos e persistentes. Além de permitir uma harmonização mais completa, quando pensamos neste nobre vinho espumante para acompanhar a comida. Posso, ainda, defender que a “culpa” desta complexidade está na maior participação da pinot noir em seu blend.
Estou citando estes rosados porque o mundo do vinho vive um movimento de tornar este estilo de bebida mais premium. E acho que vale chamar atenção de vocês, leitores, para isso. Não faz muito tempo que os rosés entraram na moda e que todos apontavam o maior interesse deste estilo de vinho pelos consumidores.
Mas os rosados que começaram a fazer sucesso eram vinhos bem mais simples, mesmo que respeitando a coloração bem clarinha, que dá o tom em Provence. Mais do que simples, eram vinhos com aquela ponta de açúcar residual a mais, um docinho disfarçado. Pode até ser o vinho da piscina, mas que perde feio para os grandes rosés e, principalmente, para os grandes champanhes rosés.
Acompanhar este movimento de premiunização dos rosados mostra que esta categoria ainda deve ficar mais tempo em destaque. Um exemplo é que a Concha y Toro, a maior vinícola do Chile, anunciou recentemente a compra da Maison Mirabeau, vinícola especializada em rosés da Provence. A operação ainda precisa ser aprovada pelos órgãos reguladores franceses e, se passar, vai fortalecer a estratégia de tornar mais premium o portfolio desta gigante dos vinhos chilenos e, ainda, chamar mais atenção para os vinhos rosés de qualidade.
A Concha y Toro não está sozinha neste movimento. Não faz muito tempo que a LVMH, que tem na sua divisão Moet Hennessy algumas das grandes marcas de bebidas, como o Château D’Yquem, de Sauternes, ou a Krug e a Dom Pérignon, em Champanhe, anunciou a compra de vinícolas ícones também da Provence. Primeiro foi o Château d’Esclans, famoso pelos vinhos Whispering Angel, e com o ícone Garrus. E, mais recentemente, em 2023, a aquisição do Château Minuty.
Torço para que seja um movimento sem volta, no qual novas vinícolas venham a se somar a ele, garantindo bons brindes rosados. Lembrando que são vinhos e champanhes que, ainda, surpreendem pela sua cor na taça.
Boa tarde Ricardo! Não tem sido fácil achar o Vina Tondonia na versão Gran Reserva aqui no Brasil, mais tranquilo é comprá-lo em sua versão Reserva. Nunca provei nenhum rosé deles, como você falou tão bem, vou tentar achar para provar ou talvez você mesmo o venda em breve. O vinho rosé Isabela Syrah 2023 (Vinícola Maria Maria), foi o único rótulo nacional a receber medalha de ouro no Decanter World Wine Awards 2025 nesta categoria lógico. Representa o crescimento dos vinhos de "dupla poda" no Sudeste brasileiro. Um vinho rosé de que gostei e que me impressionou pela qualidade e pelo preço foi o 'Ano Cero' da Altocedro, Merlot Rose Barrel Collection 2022 e se não me engano, ainda está à venda no Brasil!
ResponderExcluirCaro Ricardo,
ResponderExcluirAchei excelente este texto pois sou daqueles que torce o nariz para os roses possivelmente pela simplicidade destas primeiras bebidas que entraram na moda. Efetivamente nenhum dos que tenha experimentado me agradou. Quem sabe com esta nova versão dos roses eu ache um que eu goste.